Dia de Ação pelo Oceano: Eco-Escolas brasileiras se mobilizam em campanha de cuidado com os oceano

Atividades realizadas entre 6 e 12 de outubro envolveram estudantes em iniciativas de educação ambiental, valorização da vida marinha e conscientização sobre a conservação dos ecossistemas aquáticos

Embora sejam frequentemente divididos em Atlântico, Pacífico e Índico, os oceanos formam um sistema interconectado, que aproxima territórios, culturas, ecossistemas e formas de vida. Essa conexão também está presente no cotidiano de comunidades distantes do litoral, cujas atividades e escolhas podem influenciar diretamente a saúde dos ambientes aquáticos.
Foi a partir dessa perspectiva que escolas participantes do programa Eco-Escolas Brasil desenvolveram, entre os dias 6 e 12 de outubro, atividades da campanha Dias de Ação pelo Oceano 2026. A mobilização incentivou o protagonismo dos estudantes na conservação dos ecossistemas marinhos, relacionando o tema à realidade de cada comunidade escolar.
As ações marcaram a semana de mobilização em comemoração ao Dia Nacional do Mar, celebrado em 12 de outubro, e demonstraram como a educação ambiental pode conectar o conhecimento científico, os saberes tradicionais e as atitudes cotidianas de cuidado com o meio ambiente.
Para apoiar a participação das escolas, o Eco-Escolas Brasil disponibilizou o Guia de Atividades dos Dias de Ação pelo Oceano 2026, com propostas pedagógicas para diferentes etapas de ensino. O material incentiva as instituições a explorar as conexões com o oceano a partir de seus próprios territórios, aproximando os estudantes dos desafios relacionados à conservação da vida marinha e dos recursos hídricos.
Jovens do campo dão voz à preservação dos oceanos
Na Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I), na Bahia, a atividade “Um Oceano, Muitas Vozes” colocou os jovens no centro da produção de um vídeo de sensibilização sobre a importância da preservação dos oceanos.
A iniciativa começou com a elaboração coletiva de um roteiro por estudantes do 1º ano que integram o Comitê Eco-Escolas, sob a supervisão da professora responsável. A etapa de produção audiovisual contou com a participação de outros jovens da mesma turma, incluindo estudantes que não fazem parte do comitê, ampliando o envolvimento da comunidade escolar.
No vídeo, os próprios estudantes explicam como as práticas realizadas no campo podem influenciar a conservação dos ambientes marinhos:
“A proteção dos oceanos também começa no campo. No curso de Técnico em Agronegócio, aprendemos que o uso do solo, da água e de recursos naturais exige responsabilidade. A erosão pode levar sedimentos para os rios e os resíduos mal descartados podem chegar até o mar. Por isso, conservar o solo e cuidar da água também são formas de proteger os oceanos.”
A fala evidencia como atividades desenvolvidas longe do litoral podem contribuir para a conservação marinha. O manejo do solo, a preservação dos recursos hídricos e a destinação adequada dos resíduos são exemplos de práticas que ajudam a reduzir impactos sobre os rios e outros ambientes aquáticos conectados ao mar.
Como instituição que adota a Pedagogia da Alternância, a Casa Familiar Rural de Igrapiúna valoriza a integração entre os conhecimentos construídos na escola e as experiências vivenciadas nas comunidades. Nesse contexto, a produção do vídeo estimulou a cooperação, a comunicação e o protagonismo juvenil, mostrando como os estudantes podem utilizar diferentes linguagens para compartilhar conhecimentos e sensibilizar outras pessoas.
Conhecer a vida marinha para fortalecer os vínculos com o oceano
No Espaço Educação, escola localizada no Rio de Janeiro, a campanha foi incorporada às aulas de Educação Ambiental, com atividades que combinaram observação da biodiversidade, exploração corporal e valorização dos saberes tradicionais.
A partir do contato com exemplares de lagosta, caranguejo e polvo presentes na Coleção Zoológica da instituição, as crianças conheceram características e adaptações desses animais. Em seguida, participaram de dinâmicas corporais que permitiram explorar seus movimentos e interações.
Com o apoio de imagens da BBC, os estudantes observaram diferentes comportamentos da fauna marinha em seus ambientes naturais. A experiência foi concluída com uma história caiçara, aproximando as crianças de culturas que preservam conhecimentos e tradições relacionados ao mar.
A proposta partiu de uma ideia central: para preservar, é preciso conhecer. Ao combinar observação, movimento e cultura, a atividade buscou despertar a curiosidade das crianças, ampliar sua compreensão sobre a diversidade marinha e fortalecer os vínculos com a natureza.
Na instituição, o cuidado com o meio ambiente também está presente na rotina, tanto no encaminhamento adequado dos resíduos quanto nas escolhas pedagógicas que incentivam atitudes responsáveis.
O mar começa aqui: a relação entre as cidades e os oceanos
A Escola da Criança, de Uberlândia, em Minas Gerais, também participou da mobilização com a atividade “O Mar Começa Aqui”, que envolveu a pintura de bocas de lobo como estratégia de conscientização ambiental.
A iniciativa chama a atenção para uma conexão importante entre o ambiente urbano e os ecossistemas aquáticos. Resíduos descartados inadequadamente nas ruas podem ser transportados pela chuva até os sistemas de drenagem e, dependendo das condições locais, alcançar rios e o mar.
Ao utilizar as bocas de lobo como espaços de comunicação, a atividade busca ampliar a percepção da comunidade sobre o destino dos resíduos e a importância de evitar o descarte incorreto de lixo nas vias públicas.
A proposta reforça que a conservação dos oceanos não depende apenas de ações realizadas no litoral. O cuidado também começa nos bairros, nas cidades e nas escolhas cotidianas, demonstrando que diferentes territórios estão conectados pela água e pelos impactos das atividades humanas.
Educação ambiental que conecta pessoas e territórios
As atividades realizadas durante a campanha Dias de Ação pelo Oceano 2026 mostram como a educação ambiental pode assumir diferentes formas, respeitando as características de cada instituição e de sua comunidade. Da produção audiovisual protagonizada por jovens do campo à investigação da vida marinha e à conscientização sobre os resíduos urbanos, as iniciativas aproximam os estudantes dos desafios relacionados à conservação dos ecossistemas aquáticos.
A campanha integra as mobilizações em torno da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021–2030) e teve como marco o Dia Nacional do Mar, celebrado em 12 de outubro.
No Brasil, o programa Eco-Escolas é promovido pelo Instituto Ambientes em Rede (IAR), organização que representa no país a Foundation for Environmental Education (FEE), rede internacional dedicada à educação para o desenvolvimento sustentável. O programa incentiva as escolas a incorporar a sustentabilidade às práticas pedagógicas e à gestão escolar, estimulando a participação ativa dos estudantes e o envolvimento das comunidades.
Ao reunir experiências desenvolvidas no campo, em escolas e em ambientes urbanos, a campanha reforça que o oceano não está distante da realidade de quem vive longe da costa. Rios, sistemas de drenagem, atividades produtivas e hábitos cotidianos fazem parte dessa rede de conexões.
Afinal, o oceano é um só, e sua conservação é uma responsabilidade compartilhada. Seja no campo, na escola ou na cidade, cuidar dos oceanos começa nas escolhas de todos os dias.