Eco-Escolas disponibiliza em português o “Guia para Currículos Verdes: ensino e aprendizagem para a ação climática” da UNESCO
Publicação internacional orienta países a incorporarem educação climática de forma estruturada até 2030; Versão traduzida está disponível no site
A UNESCO publicou o Guia para Currículos Verdes: ensino e aprendizagem para a ação climática, um documento estratégico que propõe uma estrutura global para integrar, de forma sistemática, a educação sobre as mudanças climáticas e a sustentabilidade nos sistemas de ensino. A iniciativa posiciona a educação como uma das principais soluções de longo prazo para enfrentar a crise climática, defendendo que escolas e governos avancem além da conscientização e passem a serem exemplos e referência para a formação de cidadãos preparados para agir.
O guia estabelece como meta que, até 2030, 90% dos países incluam a Educação Climática em seus currículos, alinhando-se à Parceria para uma Educação Verde (GEP – Greening Education Partnership). Para isso, apresenta uma linguagem comum internacional que define o que caracteriza uma educação de qualidade voltada à ação climática, permitindo que os avanços sejam monitorados globalmente. A proposta reforça que não basta ensinar sobre o clima: é preciso desenvolver conhecimentos, competências, valores e atitudes que incentivem a participação ativa dos estudantes na construção de soluções.
A publicação propõe uma mudança do ensino tradicional para uma aprendizagem transformadora, estruturada em três dimensões integradas: cognitiva, socioemocional e comportamental. Isso significa que os estudantes devem compreender os fundamentos científicos das mudanças climáticas, desenvolver empatia e senso de responsabilidade e, sobretudo, ser estimulados a transformar conhecimento em ação concreta. O documento também defende a aprendizagem ao longo da vida, desde a primeira infância até a vida adulta, por meio de um currículo em espiral, no qual os temas são aprofundados progressivamente conforme a idade.
Outro ponto central é a abordagem de toda a instituição, indicando que a educação verde não deve se limitar a uma disciplina específica ou ações isoladas, mas estar incorporada à cultura escolar, à gestão e infraestrutura, às práticas pedagógicas em diferentes disciplinas e às operações do dia a dia. Nesse contexto, o currículo é estruturado em seis pilares fundamentais: ciência do clima; ecossistemas e biodiversidade; justiça climática; construção de resiliência; economias pós-carbono; e estilos de vida sustentáveis. Esses eixos articulam conhecimento científico, reflexão crítica sobre desigualdades e incentivo a práticas responsáveis de consumo, mobilidade e alimentação.
Para apoiar governos e instituições de ensino, o guia apresenta dez etapas de implementação que incluem revisão de políticas públicas, formação continuada de professores, desenvolvimento de recursos pedagógicos, participação ativa dos estudantes nos processos de decisão e monitoramento constante dos resultados de aprendizagem. A proposta é transformar a educação em um instrumento estratégico para acelerar a transição rumo a sociedades mais sustentáveis e resilientes.
O Guia para currículos verdes: ensino e aprendizagem para a ação climática, da UNESCO, está disponível em português no site do Eco-Escolas Brasil, ampliando o acesso de educadores, gestores e redes de ensino brasileiras a essa importante referência internacional para a ação climática na educação.