Eco-Escolas Brasil participa de painel da UNESCO sobre o Pilar 1 da EDS: Tornando Escolas Mais Verdes
Participação reforça o compromisso do Eco-Escolas Brasil com a implementação de abordagens sistêmicas para tornar as escolas mais sustentáveis, alinhadas ao Pilar 1 da Educação para o Desenvolvimento Sustentável da UNESCO
O Eco-Escolas Brasil participou de um painel internacional promovido pela UNESCO sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS), com foco no Pilar 1: Tornando Escolas Mais Verdes (Greening Schools). O encontro reuniu especialistas de diferentes países para discutir caminhos estratégicos e sistêmicos para integrar a sustentabilidade à realidade escolar.
Entre os destaques do painel, Pramod Kumar Sharma, da Foundation for Environmental Education (Dinamarca), ressaltou que o desafio vai além da realização de ações isoladas. “Projetos verdes entregam atividades; escolas verdes entregam sistemas”, afirmou. Segundo ele, tornar uma escola verdadeiramente sustentável exige integrar a sustentabilidade ao currículo, à gestão e à cultura institucional, com visão de longo prazo e engajamento de toda a comunidade escolar.
Do Senegal, Yero Sarr destacou o protagonismo estudantil como força transformadora. Para ele, crianças e jovens são agentes de mudança que multiplicam aprendizados dentro e fora da escola. “Quando chegam em casa, compartilham o que aprenderam e construíram na escola”, pontuou. Ao criar espaços de participação ativa, a escola amplia seu impacto social e fortalece o ativismo positivo das novas gerações.
Já Gabrielle Edwards, da Suécia, trouxe uma reflexão importante sobre comunicação e clima. Ela alertou que as mudanças climáticas costumam ser apresentadas por meio de narrativas alarmistas, que podem gerar ansiedade em crianças e adolescentes. Uma abordagem construtiva, orientada a soluções e possibilidades, tende a ser mais eficaz para engajar estudantes. Entre as prioridades apontadas, destacou a integração transversal da sustentabilidade em todas as disciplinas, a partir do olhar e da prática de cada educador.
Lições e caminhos para avançar
Os debates reforçaram que a transformação das escolas em espaços sustentáveis depende do fortalecimento da formação docente e da implementação de metodologias estruturadas, alinhadas a diretrizes internacionais. A sustentabilidade precisa deixar de ser um tema complementar para tornar-se parte da identidade e da cultura institucional da escola.
Colocar os estudantes no centro desse processo significa empoderá-los para participar das decisões e da construção dos caminhos que a escola deve seguir. Também exige repensar a comunicação: sair de uma linguagem excessivamente técnica ou centrada em crises e adotar narrativas inspiradoras, que mobilizem sonhos e ações coletivas. Perguntas como “que escola queremos construir?” e “como podemos chegar lá juntos?” ajudam a transformar visões de futuro em práticas concretas.
Embora a integração da sustentabilidade ao currículo, o ensino sobre mudanças climáticas e a Aprendizagem Baseada em Projetos possam parecer um desafio inicial, trata-se, na essência, de uma mudança de abordagem — e não de acréscimo de conteúdos. As escolas que já trilham esse caminho assumem posição de liderança na transição para uma educação mais alinhada aos desafios globais.
Metodologias sistêmicas e reconhecidas internacionalmente oferecem o suporte necessário para essa jornada. O Eco-Schools, reconhecido como a maior rede global de escolas sustentáveis, atua justamente no fortalecimento, na orientação e no reconhecimento de instituições que integram a Educação para o Desenvolvimento Sustentável em sua prática cotidiana.